quarta-feira, 26 de junho de 2013

MEUS  POEMAS.


O que é ser estapafômbio?

Não sei porque me apaixono
por essas coisas estapafômbias
de amor controvertido
de amar homossentido.
Não sei porque gosto tanto
dessas coisas estapafômbias
de querer me exilar-se
neste mondo dos sentidos.
Lá fora o mundo grita estapafômbios
e eu aqui estou estapafômbio
consumindo virtualidades impostas
ideologias baratas
o glamour das marcas
a soberba do status
o brilho de um sapato
a embriaguez do álcool
e até o veneno das baratas.
Consumo o que não me acrescenta
esqueço o que me representa.
Estou mesmo estapafômbio.
O Mundo
meu País
meu Estado
minha Cidade e seus representantes.
Estão todos estapafômbios!
Tudo está.!
Hoje acordou o gigante estapafômbio que dormia
no regaço das falsas promessas.
Percebeu-se estapafômbio
e gritou nas praças, avenidas, ruelas e periferias.
Está gritando e as vezes se descontrola indignado.
Grita, chora, quer mudanças!
Quer comer,
trabalhar, se medicar, ler.
Quer saneamento,
livrar-se do sofrimento.
Quer honestidade
nos passos das cidades.
Cansou-se da contra-mão
quer dá basta na corrupção.
Não sei porque eu me apaixonava
por essas coisas estapafômbias
de amor controvertido
de amar homossentido
eu quero me libertar dos politiqueiros.
E para aquele que quer “cura”
cura para seu preconceito ordinário.
Fora Felicianos o povo quer viver sem suas amarras estapafômbias.
Não é por 0,20 é por muito mais!!!
É por amor e paz e dignidade.
É pelo humano da humanidade, o que mais?

MATIAS de Araújo, Jurandir.


DEJUNINAELA REGOZIJAVA-SE.

Min'alma de criança regozijava nas festas juninas
da fazenda
do sítio
da capela.
Defronte da fogueira a fumegar.
da casa familiar.
A alegria vinha do Grande
e depositava-se dentro de meu coração
como uma semente a germinar no campo.
Ela crescia durante uma semana
para florescer no dia de São João
e com os fogos
e a cada “explosão”
ela desabrochava feito as boninas do terreiro de madrinha Olívia.
Moça de cem anos
ela nunca se casara!
Era a noiva de são João
o sortudo santo dono das donzelas campesinas.
De outrora!
Mamãe comprava chita para customizar velhas calças jeans;
pintava com carvão um bigode;
colocava um chapéu de palha;
não tinha botas de couro, e ela comprava alpercatas de couro cru.
Que charme nordestino!
Era uma alegria tão Grande
que nunca mais a encontrei em minha estranha adultice megalopeana!
Os sonhos infantis ainda estão lá na casa de pau-a-pique
nas estradas de barro
nos casarões antigos
nas árvores frutíferas
nos lajedos
nas capelas solitárias dos sítios
em Serra de Dona Inês!
É lá que a encontro anualmente.
Tudo em pensamentos se aflora numa infância
com cheiros, cores, paisagens
vivências e lembranças adocicadas.
Nas crianças altaneiras
vejo as crianças que fomos
meus epocanos e eu.
E essa lembrança ver Neta
tímida e cantadeira de hinos.
Quando volto à realidade ela não está!
Foi-se o sentido da festa
mas, o vigor infantil a explodir no terreiro
o recupera e Neta adormece docilmente em meu coração recordeiro.
Regozijava-se e se alegra
não mais de “junina” porque isso é de criança unicamente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.