sexta-feira, 3 de janeiro de 2014


A GRAVIDADE DAS FORÇAS E DO TEMPO.

Somos gerados por duas forças incapazes de se afinarem.
Totalmente contrárias na infinitude do labirinto humano
No âmbito das ações e reações!
Portanto, são capazes de se equilibrarem, cada uma em seu circulo.
Por isso,duelam incansavelmente querendo dominar o espírito encurralado na máquina orgânica.
É nela que ele pretende dominar ambas para não aprisionar-se numa só.
Um prisioneiro voluntário em busca de lapidar sua essência espiritual, humana.
O amor e o ódio!
Um par que distribui vários pares
Que se contradizem no vasto computador mental de seres imperfeitos.
Sanidade e loucura
Bem e mal
Equilíbrio e desequilíbrio
Calmaria e conturbação
Luz e sombras . . .
Ele precisa equilibrar todos esses pares para alçar o voou libertário
Da Divina comédia humana
Basta abrir uma janela para acionar a visão de uma delas.
Janela que quando se abre atrai olhares que vagabundeiam no Tempo.
No tempo lapso,
Devorador de acontecimentos lapsos
Entre o real e o irreal.
Duas forças submissas a esse juiz da humanidade.
O Tempo.
O único que pode julgar suas extravagâncias
Benditas ou malditas.
O único que assiste sem pressa a carcomidade das coisas materiais.
Nossa Terra, nosso Corpo, nossa História!
O pensamento humano limita-se no porvir
Desse implacável redentor das calamidades humanas.
As Guerras, as epidemias, as pestes, . . .
Menos a miserabilidade!
Porque somos todos miseráveis independentemente de nossas ações.
O Tempo não corrói a miséria humana
Porque ela faz parte do processo que lapida os seres espirituais que nela habita.
Uma espécie de martelinho de ouro!
Que curando as imperfeições
Liberta o ser de suas garras afiadas e predatória.
Só nisso ela se alia ao incansável redentor.
Seu alimento mais revigorante é a impureza da humanidade
Que se transformando a atrai inevitavelmente!
Porque transformar é desordenar em busca da ordem.
Enquanto existirem os homens
Existirão o Tempo e a miséria.
Porque como o amor e o ódio
Duelam na subjetividade dos seres intelectuais.
É quando se chocam
Que as forças de amor e ódio
Colocam o homem na eterna dúvida do “ser ou não ser” de Shakespeare.
O gênio que soube explorar divinamente a miserabilidade do ser humano
sedento de amar e odiar
num eterno duelo ente o bem e o mal.
Na eterna ambição de encontrar um ponto de equilíbrio entre ambas as forças
Afim de compreender melhor a sua gênese insubmissa.


MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.