ELA E AS ROSAS.
Emoção!
Senhora, senhorinha,
terceira idade. . .
No banco solitário
do ônibus
de recosto amarelo
excludente
uma visão
fotográfica que meus olhos registraram.
Coberta de lã
excelente
olhar ligeiro na gente
num receio de idade
apoiava com os braços
um carinho com ramagem.
Rosas brancas e rosadas
muito bem distribuídas
num buquê
surpreendente.
Os meus olhos marejaram
me transpondo aos
abraços
daquela que me gerou.
Uma imagem digna de ser
eternizada
vai ficar impregnada
apenas em minha mente
e no espaço de
tempo que fez ela existir.
Pensei nas senhoras de
Dupuy
quão elegante
estava ela
que me fez vibrar de
vida
no tenro amanhecer.
Lembrei de minha Mãe
me pedindo pra voltar:
“ venha simbora meu
fii
que o Deus daí é
o mesmo de cá,
danado de Sunpalo,
venha simbora pra cá”.
As lágrimas
principiaram
mas não as
deixei jorrar.
O dia só
começava
precisava enfrentar.
Mas o princípio
de um sorriso nos lábios da senhorinha
me fez se desmanchar
o conjunto da imagem
me causou aquele mau
que me trouce um bem
estar.
E as duas senhoras se
confundiram na luz daquele olhar.
Emoção.
Raro momento que
impulsiona a vida.
MATIAS de
Araújo, Jurandir, 2015.