sexta-feira, 8 de maio de 2015

ELA E AS ROSAS.

Emoção!
Senhora, senhorinha, terceira idade. . .
No banco solitário do ônibus
de recosto amarelo excludente
uma visão fotográfica que meus olhos registraram.
Coberta de lã excelente
olhar ligeiro na gente
num receio de idade
apoiava com os braços
um carinho com ramagem.
Rosas brancas e rosadas
muito bem distribuídas
num buquê surpreendente.
Os meus olhos marejaram
me transpondo aos abraços
daquela que me gerou.
Uma imagem digna de ser eternizada
vai ficar impregnada apenas em minha mente
e no espaço de tempo que fez ela existir.
Pensei nas senhoras de Dupuy
quão elegante estava ela
que me fez vibrar de vida
no tenro amanhecer.
Lembrei de minha Mãe me pedindo pra voltar:
“ venha simbora meu fii
que o Deus daí é o mesmo de cá,
danado de Sunpalo,
venha simbora pra cá”.
As lágrimas principiaram
mas não as deixei jorrar.
O dia só começava
precisava enfrentar.
Mas o princípio de um sorriso nos lábios da senhorinha
me fez se desmanchar
o conjunto da imagem
me causou aquele mau
que me trouce um bem estar.
E as duas senhoras se confundiram na luz daquele olhar.
Emoção.
Raro momento que impulsiona a vida.


MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.



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