sexta-feira, 26 de junho de 2015


SEXO AMBOS.

E vem o assombro,
o Espírito quer viver,
experienciar,
sentir,
a energia de um outro.
Mas a carne
a pesar de exalar essa energia
ao encontro de ambos
sufoca dogmaticamente,
suspiros e desejos.
Os Espíritos cadenciam degraus distantes e distintos
mas a energia que emana de um
perturba o outro demasiadamente.
Os laços foram atados pela santidade diabólica
que usurpa o que há de melhor na humanidade.
A liberdade do amor!
E espalha entre ela um vinagre azedo.
Dogmas!
E como algo que sacode e transporta violentamente
o mais sensível
se ver num deserto a procurar oásis.

MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.

FASE.

Aquele garotinho se perdeu nas brumas do tempo
aquele adolescente no vaguear dos sonhos
aquele jovem de alma recolhida nas asas do preconceito.
Hoje resta um adulto que finge inclusão por não acreditar nela.
A pesar de ter galgado, através de labirintos
e chegado em casas memoráveis
ainda sente o peso da indiferença que sua diferença acumulou.
Era alegre como borboletas no ar
sonhador como quem ama deveras
é individualista e dependente de um coro desumano
que os séculos repetem sem piedade.
Quem se diz livre
não vai além se si mesmo
porque o coro limita
visão e mante e meta.
Uma ladainha que derrama sangue por entre as moradas
e amedronta o homem desde sua mais tenra idade.
Um deus impiedoso!
O tempo corre
mas é atropelado pelas sandices humanas
e a humanidade empaca feito mula.


MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.

ENCLAUSURAMENTO.

Além do casulo um muro
além do muro uma grade
além da grade a violência
além da violência a corrupção
além da corrupção homens sem caráter
além dos homens sem caráter
os fazedores de deuses
além deles uma sociedade em caos.
Antes de tudo isso
massas carentes e alienáveis.
À mercê de tudo isso
rebeldes se causas.
A inteligencia humana tornou-se individualista
perdeu o sentido de coletividade.
O coletivo tornou-se amante do lucro.
Nunca praticou-se tanto a frase aberrática
“cada um por si e deus por todos”.
E nas sandices dos seres
a Empatia é alvo de um feitiço contemporâneo
e dorme como a Bela.
Mas, o mal maior
é a obscuridade que cega nos homens
o quesito das diferenças
que os enobrecem como seres.
Quem suporta tudo isso
vive querendo ser poeta
e passa despercebido na vida!
E quando alguém remexe os destroços que o passado deixa
a morte o salva colocando-o no colo da Arte.
Só ela remexe os vivos
arrancando deles o bem ou mal que os comportam.
O amor e o ódio são reavivados por força da Arte.
Seja ela qual for
porque o ser humano é uma arte que se acha única.
Quando outra se sobressai
ele é tomado pelo preconceito
que constrói o muro
a grade
a violência
a corrupção
o homem se caráter
os fazedores de deuses
o caos!
Coisas que pesam nas massas
desde a tenra idade de seus componentes.
E elas crescem carentes e muito alienáveis!
Os homens fecham as próprias portas para o “paraíso”!
Porque desconhece que ele é a própria chave.
Fechando-se nunca chegarão lá!!
o paraíso é o conhecimento se si mesmo!!
MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.

APARÊNCIAS.

Parece que é um ser humano?
O maior divertimento é parar longe dos olhos transeuntes,
observar as caras passantes
e perceber que umas,
despertam o desejo de tornar-se cruel e destruí-las sem dó;
outras,
o desejo de ser anjo e cobrí-las de carinhos e amor;
outras,
uma compaixão profunda que desconcerta todo o ser;
outras,
uma indiferença parcimoniosa que desconecta o ser do mundo.
Perceber tudo isso não é o melhor!
O melhor é poder controlar os desejos sentidos.
Se quero destruir
não destruo;
se quero dar carinho
não dou;
se quero amar
não amo;
se quero ajudar
não ajudo;
se quero ser indiferente
não sou.
Penso:
Se consigo negar,
é porque estou pronto para dar.
O ser humano só se dota de qualidades
quando conhece ela e o seu inverso.
Do tipo: quem já amou e odiou deveras,
pode escolher entre ser bom ser mal;
quem já destruiu e reconstruiu
pode escolher entre a guerra e a paz etc.
Quem nega as coisas e seus contrários
está longe do Criador.
Justamente porque ele é dotado de duas forças oposta.
Se ele fez as criaturas,
almeja que elas se realizem no esforço de equilibrar
o quanto puderam essas forças vitais.
Mas,
noto que a religiosidade exacerbada,
tirou esse dom prodigioso do homem.
A harmonia agora é clamada veementemente.
O homem vive à mercê de um deus inventado.
E o Criador está oculto no véu das aparências.
Só é ouvido por aqueles que fala com o coração,
porque esse órgão é telepático e manda mensagem à mente.

MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.

INSANIDADE, TALVEZ.

Há uma necessidade em mim de transcender isso que chamam de morte,
e que agora, tem que ser morte!
Pois, não estamos preparados, ainda,
para levantar esse véu que oculta a essência da vida.
Há uma necessidade de ultrapassá-lo com carne e osso e alma.
Queria desmantelar a humanidade com a cruel verdade inaudita,
a qual o homem persegue e tem medo de descobrí-la.
Quem sabe:
não se fizessem mais deuses cruéis e vingativos
quem sabe:
a fé desperdiçada se traduzisse em empatia
quem sabe:
a insanidade dos evangelizadores o fizessem morrer de vergonha
poupando as massas dos deuses cruéis
quem sabe:
os feiticeiros aperfeiçoassem mais o misticismo.
Quem sabe:
a magia voltasse a reinar entre os povos
e o reconectassem à Natureza.
A vida é um quem sabe que nos atormenta desde que começamos a indagar as coisas.
Volver a vida no amor é preciso!
A empatia é seu quinhão mais valioso para os seres humanos,
Quando uma ideia preconcebida sobre outrem é analisada e criticada adequadamente
se chaga a empatia.
Tolos são aqueles que usam o preconceito para denegrir imagens,
humilhar pessoas, excluir classes e invalidar credos!
O mundo gira com e para todos da mesma forma.
O meu direito também é do outro e vice versa!
Os astros são diferentes entre si
porque não deveríamos de ser entre nós.
Essa necessidade trava guerra com o conservadorismo, as crenças, as religiões e utopias.
Infundados!
É uma necessidade de arrancar de mim,
os preconceitos herdado como se fora genético.
Transpor esse véu é minha maior insanidade, talvez.
Quem sabe?


MATIAS de Araújo, Jurandir, 2015.

sexta-feira, 5 de junho de 2015


VISÃO DE MONSTRO.

Não sei se é misantropia
mas, sou tomado por uma aversão monstruosa
quando observo de perto o rosto de seletos seres humanos!
Vejo destroços demais à minha alma sensível
que de insensível é taxada quando não suporta e desdenha.
É de angústia que se enche meus pulmões
não de ar!
Porque inspiro o sofrimento estampado nos rostos miseráveis.
E a angústia me faz respirar indignações obscuras.
Há desdem em mim e no outro
e espanto mutuo.
O outro me olha desconfiado.
Eu o olho angustiado indagando a mim mesmo:
o que vejo é monstruoso e afeta só a mim?
Se me vêem da mesma forma, somos espíritos rivais?
Monstros inimigos e bizarros
que se fazem de humanos monstros?
Quem somos afinal?
E o que dizer da beleza e do prazer
de observar certos rostos
que em vez de angústia, paz
de aversão, empatia exagerada.
Como dói enxergar o que enxergo.
Não é culpa do Nietzsche
porque quando li sua verdade monstruosa
esse mostro do repugno já fazia parte de meu mundo.
Tento vencê-lo a cada rosto observado
e como não dou-lhe asas
ele rasga meu peito
num exagerado semear de angústias
na vastidão do mundo que me habita.
Vejo morte por toda superfície do rosto observado!
Morte da estima
morte da beleza da alma
morte da visão do mundo que circunda
morta da vontade
morte do sorriso que disfarça o que é feio
morte da liberdade e da rebeldia necessárias à vida em sociedade.
Mas, a pior morte
é perceber que quando meus olhos miram tais criaturas
minha empatia desfalece e quase morre,
não fosse aquelas que a ressuscita com o choque da beleza interior,
evocada num sorriso largo e enebriador.
Morro e mato quando vencido pelo repugno que quero vencer em mim.
Digerir esse monstro é batalha de gigante.
Mas meu senso de amante
nunca vai desistir!

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2015