VISÃO DE
MONSTRO.
Não sei se é
misantropia
mas, sou tomado por uma
aversão monstruosa
quando observo de perto
o rosto de seletos seres humanos!
Vejo destroços
demais à minha alma sensível
que de insensível
é taxada quando não suporta e desdenha.
É de angústia
que se enche meus pulmões
não de ar!
Porque inspiro o
sofrimento estampado nos rostos miseráveis.
E a angústia me
faz respirar indignações obscuras.
Há desdem em mim
e no outro
e espanto mutuo.
O outro me olha
desconfiado.
Eu o olho angustiado
indagando a mim mesmo:
o que vejo é
monstruoso e afeta só a mim?
Se me vêem da
mesma forma, somos espíritos rivais?
Monstros inimigos e
bizarros
que se fazem de humanos
monstros?
Quem somos afinal?
E o que dizer da beleza
e do prazer
de observar certos
rostos
que em vez de angústia,
paz
de aversão,
empatia exagerada.
Como dói
enxergar o que enxergo.
Não é
culpa do Nietzsche
porque quando li sua
verdade monstruosa
esse mostro do repugno
já fazia parte de meu mundo.
Tento vencê-lo a
cada rosto observado
e como não
dou-lhe asas
ele rasga meu peito
num exagerado semear de
angústias
na vastidão do
mundo que me habita.
Vejo morte por toda
superfície do rosto observado!
Morte da estima
morte da beleza da alma
morte da visão
do mundo que circunda
morta da vontade
morte do sorriso que
disfarça o que é feio
morte da liberdade e da
rebeldia necessárias à vida em sociedade.
Mas, a pior morte
é perceber que
quando meus olhos miram tais criaturas
minha empatia desfalece
e quase morre,
não fosse
aquelas que a ressuscita com o choque da beleza interior,
evocada num sorriso
largo e enebriador.
Morro e mato quando
vencido pelo repugno que quero vencer em mim.
Digerir esse monstro é
batalha de gigante.
Mas meu senso de amante
nunca vai desistir!
MATIAS de
Araújo, Jurandir – 2015
Nenhum comentário:
Postar um comentário