sexta-feira, 5 de junho de 2015


VISÃO DE MONSTRO.

Não sei se é misantropia
mas, sou tomado por uma aversão monstruosa
quando observo de perto o rosto de seletos seres humanos!
Vejo destroços demais à minha alma sensível
que de insensível é taxada quando não suporta e desdenha.
É de angústia que se enche meus pulmões
não de ar!
Porque inspiro o sofrimento estampado nos rostos miseráveis.
E a angústia me faz respirar indignações obscuras.
Há desdem em mim e no outro
e espanto mutuo.
O outro me olha desconfiado.
Eu o olho angustiado indagando a mim mesmo:
o que vejo é monstruoso e afeta só a mim?
Se me vêem da mesma forma, somos espíritos rivais?
Monstros inimigos e bizarros
que se fazem de humanos monstros?
Quem somos afinal?
E o que dizer da beleza e do prazer
de observar certos rostos
que em vez de angústia, paz
de aversão, empatia exagerada.
Como dói enxergar o que enxergo.
Não é culpa do Nietzsche
porque quando li sua verdade monstruosa
esse mostro do repugno já fazia parte de meu mundo.
Tento vencê-lo a cada rosto observado
e como não dou-lhe asas
ele rasga meu peito
num exagerado semear de angústias
na vastidão do mundo que me habita.
Vejo morte por toda superfície do rosto observado!
Morte da estima
morte da beleza da alma
morte da visão do mundo que circunda
morta da vontade
morte do sorriso que disfarça o que é feio
morte da liberdade e da rebeldia necessárias à vida em sociedade.
Mas, a pior morte
é perceber que quando meus olhos miram tais criaturas
minha empatia desfalece e quase morre,
não fosse aquelas que a ressuscita com o choque da beleza interior,
evocada num sorriso largo e enebriador.
Morro e mato quando vencido pelo repugno que quero vencer em mim.
Digerir esse monstro é batalha de gigante.
Mas meu senso de amante
nunca vai desistir!

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2015



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