SEXO AMBOS.
E vem o assombro,
o Espírito quer
viver,
experienciar,
sentir,
a energia de um outro.
Mas a carne
a pesar de exalar essa
energia
ao encontro de ambos
sufoca dogmaticamente,
suspiros e desejos.
Os Espíritos
cadenciam degraus distantes e distintos
mas a energia que emana
de um
perturba o outro
demasiadamente.
Os laços foram
atados pela santidade diabólica
que usurpa o que há
de melhor na humanidade.
A liberdade do amor!
E espalha entre ela um
vinagre azedo.
Dogmas!
E como algo que sacode
e transporta violentamente
o mais sensível
se ver num deserto a
procurar oásis.
MATIAS
de Araújo, Jurandir, 2015.
FASE.
Aquele garotinho se
perdeu nas brumas do tempo
aquele adolescente no
vaguear dos sonhos
aquele jovem de alma
recolhida nas asas do preconceito.
Hoje resta um adulto
que finge inclusão por não acreditar nela.
A pesar de ter galgado,
através de labirintos
e chegado em casas
memoráveis
ainda sente o peso da
indiferença que sua diferença acumulou.
Era alegre como
borboletas no ar
sonhador como quem ama
deveras
é individualista
e dependente de um coro desumano
que os séculos
repetem sem piedade.
Quem se diz livre
não vai além
se si mesmo
porque o coro limita
visão e mante e
meta.
Uma ladainha que
derrama sangue por entre as moradas
e amedronta o homem
desde sua mais tenra idade.
Um deus impiedoso!
O tempo corre
mas é atropelado
pelas sandices humanas
e a humanidade empaca
feito mula.
MATIAS de
Araújo, Jurandir, 2015.
ENCLAUSURAMENTO.
Além do casulo
um muro
além do muro uma
grade
além da grade a
violência
além da
violência a corrupção
além da
corrupção homens sem caráter
além dos homens
sem caráter
os fazedores de deuses
além deles uma
sociedade em caos.
Antes de tudo isso
massas carentes e
alienáveis.
À mercê de
tudo isso
rebeldes se causas.
A inteligencia humana
tornou-se individualista
perdeu o sentido de
coletividade.
O coletivo tornou-se
amante do lucro.
Nunca praticou-se tanto
a frase aberrática
“cada um por si e
deus por todos”.
E nas sandices dos
seres
a Empatia é alvo
de um feitiço contemporâneo
e dorme como a Bela.
Mas, o mal maior
é a obscuridade
que cega nos homens
o quesito das
diferenças
que os enobrecem como
seres.
Quem suporta tudo isso
vive querendo ser poeta
e passa despercebido na
vida!
E quando alguém
remexe os destroços que o passado deixa
a morte o salva
colocando-o no colo da Arte.
Só ela remexe os
vivos
arrancando deles o bem
ou mal que os comportam.
O amor e o ódio
são reavivados por força da Arte.
Seja ela qual for
porque o ser humano é
uma arte que se acha única.
Quando outra se
sobressai
ele é tomado
pelo preconceito
que constrói o
muro
a grade
a violência
a corrupção
o homem se caráter
os fazedores de deuses
o caos!
Coisas que pesam nas
massas
desde a tenra idade de
seus componentes.
E elas crescem carentes
e muito alienáveis!
Os homens fecham as
próprias portas para o “paraíso”!
Porque desconhece que
ele é a própria chave.
Fechando-se nunca
chegarão lá!!
o paraíso é
o conhecimento se si mesmo!!
MATIAS de
Araújo, Jurandir, 2015.
APARÊNCIAS.
Parece que é um
ser humano?
O maior divertimento é
parar longe dos olhos transeuntes,
observar as caras
passantes
e perceber que umas,
despertam o desejo de
tornar-se cruel e destruí-las sem dó;
outras,
o desejo de ser anjo e
cobrí-las de carinhos e amor;
outras,
uma compaixão
profunda que desconcerta todo o ser;
outras,
uma indiferença
parcimoniosa que desconecta o ser do mundo.
Perceber tudo isso não
é o melhor!
O melhor é poder
controlar os desejos sentidos.
Se quero destruir
não destruo;
se quero dar carinho
não dou;
se quero amar
não amo;
se quero ajudar
não ajudo;
se quero ser
indiferente
não sou.
Penso:
Se consigo negar,
é porque estou
pronto para dar.
O ser humano só
se dota de qualidades
quando conhece ela e o
seu inverso.
Do tipo: quem já
amou e odiou deveras,
pode escolher entre ser
bom ser mal;
quem já destruiu
e reconstruiu
pode escolher entre a
guerra e a paz etc.
Quem nega as coisas e
seus contrários
está longe do
Criador.
Justamente porque ele é
dotado de duas forças oposta.
Se ele fez as
criaturas,
almeja que elas se
realizem no esforço de equilibrar
o quanto puderam essas
forças vitais.
Mas,
noto que a
religiosidade exacerbada,
tirou esse dom
prodigioso do homem.
A harmonia agora é
clamada veementemente.
O homem vive à
mercê de um deus inventado.
E o Criador está
oculto no véu das aparências.
Só é
ouvido por aqueles que fala com o coração,
porque esse órgão
é telepático e manda mensagem à mente.
MATIAS de
Araújo, Jurandir, 2015.
INSANIDADE, TALVEZ.
Há uma
necessidade em mim de transcender isso que chamam de morte,
e que agora, tem que
ser morte!
Pois, não
estamos preparados, ainda,
para levantar esse véu
que oculta a essência da vida.
Há uma
necessidade de ultrapassá-lo com carne e osso e alma.
Queria desmantelar a
humanidade com a cruel verdade inaudita,
a qual o homem persegue
e tem medo de descobrí-la.
Quem sabe:
não se fizessem
mais deuses cruéis e vingativos
quem sabe:
a fé
desperdiçada se traduzisse em empatia
quem sabe:
a insanidade dos
evangelizadores o fizessem morrer de vergonha
poupando as massas dos
deuses cruéis
quem sabe:
os feiticeiros
aperfeiçoassem mais o misticismo.
Quem sabe:
a magia voltasse a
reinar entre os povos
e o reconectassem à
Natureza.
A vida é um quem
sabe que nos atormenta desde que começamos a indagar as
coisas.
Volver a vida no amor é
preciso!
A empatia é seu
quinhão mais valioso para os seres humanos,
Quando uma ideia
preconcebida sobre outrem é analisada e criticada
adequadamente
se chaga a empatia.
Tolos são
aqueles que usam o preconceito para denegrir imagens,
humilhar pessoas,
excluir classes e invalidar credos!
O mundo gira com e para
todos da mesma forma.
O meu direito também
é do outro e vice versa!
Os astros são
diferentes entre si
porque não
deveríamos de ser entre nós.
Essa necessidade trava
guerra com o conservadorismo, as crenças, as religiões
e utopias.
Infundados!
É uma
necessidade de arrancar de mim,
os preconceitos herdado
como se fora genético.
Transpor esse véu
é minha maior insanidade, talvez.
Quem sabe?
MATIAS de
Araújo, Jurandir, 2015.