quarta-feira, 27 de novembro de 2013




O TODO ESTA CHEIO DE PARTES DO TODO.

O todo não é um todo
O todo é multifacetado
Multi-dividido
Multi-individualizado
É como a cidade de São Paulo
Antropófaga
Telescópica
Diagnóstica
Multifacetada
Multi-temporal
Carnavalesca
Burlesca
Caricata
Pernóstica
Sub-natural.
Inóspita para a afloração das subjetividades que querem ser objetivas
Quem sou eu?
Quem é o outro?
Se mostramos nossa cara lavada sem a máscara
Sem o pó
Sem o brilho falso
Sem o sorriso forçado
A antropofagia, o telescópio, o diagnóstico, o carnaval, . . .
Nos lançam nos braços da dilaceradora de seres
A mídia!
Que de princípio nos acalentam
Depois nos jogam na fogueira da intolerância
E reduz-nos ao pó da invisibilidade!
Cuidado com ela!
É tão impiedosa quanto a santa inquisição
Tão poderosa quanto.
É ela própria disfarçada de modernidades
E agora, não perdoa nem os que a fizeram nascer em tempos de ignorância
A mídia é voz insidiosa colocada na boca das massas
Principalmente quando elas ignoram a realidade das coisas sociais.
É um tal de consumismo
De individualismo
De egocentrismo
É uma tal de invisibilidade
De incapacidade
De inimizade
De disputabilidade
Todos e todas exacerbadamente exageradas.
É o todo social distribuindo suas partes mais midiáticas
As partes insólitas da sociedade insólita.
As reverberações são ocultadas nas nesgas da infamada.
Como se o lado diabólico prevalecesse nos indivíduos
ornado de brilhos falsos
Na caçada da lucratividade engenhosa do famoso “jeitinho brasileiro”.
A máscara é belíssima e anti-burocrática.
A verdade anda mais para o submundo
Que se mostra de cara lavada
Porque roubaram-lhes a cota de inclusão.

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.

terça-feira, 5 de novembro de 2013



EU, DESIDÉRIO NA BALADA.

O que ativa nosso faro sexual é foda
Outro dia
Numa típica noite de balada
Deparei-me com um rotulado nóia
Ele estava semi-vestido
Mostrava seu corpo esbelto, mas bem definido
Corpo de quem se exercita rotineiramente
O modo não sei!
Instintivamente percebi que acabara de dar uns tragos
Na erva ou na pedra queimada.
O álcool certamente acentuava sua embriaguez
Passou perto de mim
Intimou-me com uma voz melódica
Paralisou-me com a mistureba de cheiros fumálcool.
- Tu fumas mano?
Paralisou-me em segundos
Senti-me todo molenga
Todo dado aos prazeres da carne
Como que uma erupção hormonal se fizesse dentro de mim
Um calor vaporoso acendia meu corpo
E o combustível era o cheiro do rapaz
Embriagante!
Ceifador de sentidos racionais
Encostou-se bem perto e fixou o olhar no meu
Como que para enxergar meu mundo destroçado pela sua embriaguez
O cheiro penetrava minhas entranhas como um êxtase fatal
Não tive reação sequer para responder-lhe a pergunta de fumante
Quando o não conseguiu sair
Foi cortado
Nã......... ão.
- Tens um real? Pra eu comprar um solto, aliii
Antes que eu respondesse
Ele instintivamente começou a massagear seu órgão
E debochadamente ria a olhar-me
Insinuação assediadora !
Parecia que o Largo sumira de minha visão delatada
E outro lugar desconhecido se fizesse presente
O que minha mente perturbada conseguia registrar
Eram só um sorriso malicioso numa voz melosa e um órgão buliçoso
Todos os meus sentidos rebaixaram-se ao que me sobrepôs
O olfato deliberadamente se tornou canino
Um reeé . . aal?
Tenho sim!
Saquei-o do bolso exitadamente nervoso
Mas, antes que eu o entregasse
Ele arrancou-o de minhas mãos e relampejou largo-adentro
Aquele cheiro misturado que se espalha nas baladas
Embriaga mais do que o contato com a própria droga
E o viciado sabe disso filosoficamente
Ali não se trata de amores
Se trata de prazeres orgânicos e orgásmicos.
O fato é que um real não compra um michê
Mesmo ele nos braços da compulsividade viciada
Foda é comprar prazeres
Foda é adentrar as zonas da “boca do lixo” em busca dele
Foda é entender a polivalência do ser humano
Foda também é que não sou dado à caça
Mas, nesse dia . . .
Queria viajar na brisa que nos leva ao mundo da anti-gravidade
Queria buscar respostas para a fornicação
Que me arrebata nas noites solitárias de um monogâmico como eu.
Passei a noite a requebrar o esqueleto
Bebi, dancei, beijei, cantei
Me vigiei, mas não fui às vias de fatos.
Voltei manhãnzinha
O sol já contemplava o novo dia
Abri a porta e deparei-me com ela esparramada em minha cama
Silenciosa e pronta para abraçar-me novamente.
A solidão.

MATIAS de Araújo, Jurandir 2013.