EU, DESIDÉRIO NA BALADA.
O que ativa nosso faro sexual é foda
Outro dia
Numa típica noite de balada
Deparei-me com um rotulado nóia
Ele estava semi-vestido
Mostrava seu corpo esbelto, mas bem definido
Corpo de quem se exercita rotineiramente
O modo não sei!
Instintivamente percebi que acabara de dar uns tragos
Na erva ou na pedra queimada.
O álcool certamente acentuava sua embriaguez
Passou perto de mim
Intimou-me com uma voz melódica
Paralisou-me com a mistureba de cheiros fumálcool.
- Tu fumas mano?
Paralisou-me em segundos
Senti-me todo molenga
Todo dado aos prazeres da carne
Como que uma erupção hormonal se fizesse dentro de mim
Um calor vaporoso acendia meu corpo
E o combustível era o cheiro do rapaz
Embriagante!
Ceifador de sentidos racionais
Encostou-se bem perto e fixou o olhar no meu
Como que para enxergar meu mundo destroçado pela sua embriaguez
O cheiro penetrava minhas entranhas como um êxtase fatal
Não tive reação sequer para responder-lhe a pergunta de fumante
Quando o não conseguiu sair
Foi cortado
Nã......... ão.
- Tens um real? Pra eu comprar um solto, aliii
Antes que eu respondesse
Ele instintivamente começou a massagear seu órgão
E debochadamente ria a olhar-me
Insinuação assediadora !
Parecia que o Largo sumira de minha visão delatada
E outro lugar desconhecido se fizesse presente
O que minha mente perturbada conseguia registrar
Eram só um sorriso malicioso numa voz melosa e um órgão buliçoso
Todos os meus sentidos rebaixaram-se ao que me sobrepôs
O olfato deliberadamente se tornou canino
Um reeé . . aal?
Tenho sim!
Saquei-o do bolso exitadamente nervoso
Mas, antes que eu o entregasse
Ele arrancou-o de minhas mãos e relampejou largo-adentro
Aquele cheiro misturado que se espalha nas baladas
Embriaga mais do que o contato com a própria droga
E o viciado sabe disso filosoficamente
Ali não se trata de amores
Se trata de prazeres orgânicos e orgásmicos.
O fato é que um real não compra um michê
Mesmo ele nos braços da compulsividade viciada
Foda é comprar prazeres
Foda é adentrar as zonas da “boca do lixo” em busca dele
Foda é entender a polivalência do ser humano
Foda também é que não sou dado à caça
Mas, nesse dia . . .
Queria viajar na brisa que nos leva ao mundo da anti-gravidade
Queria buscar respostas para a fornicação
Que me arrebata nas noites solitárias de um monogâmico como eu.
Passei a noite a requebrar o esqueleto
Bebi, dancei, beijei, cantei
Me vigiei, mas não fui às vias de fatos.
Voltei manhãnzinha
O sol já contemplava o novo dia
Abri a porta e deparei-me com ela esparramada em minha cama
Silenciosa e pronta para abraçar-me novamente.
A solidão.
MATIAS de Araújo, Jurandir 2013.
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