sexta-feira, 26 de julho de 2013



A RELIGIOSIDADE.

Ela pegou a ponta do fio do novelo que tece as carências humanas
Desde então
Teceu a seu bel prazer as lindas cambraias
Que enfeitam os caminhos que a humanidade percorre adentrando séculos.
Tece tão majestosamente
Que precisa os nós que atam o livre pensamento
Pensamos até o nó!
Raros são os que conseguem desatá-los
E os que o fazem
São perseguidos até os liames da loucura
Porque são loucos?
Adiante dos nós há "verdades" contemptoras
Ela precisa atá-los para triunfar nas massas!
Porque as massa não são loucas?
Porque as massas não aprenderam desatar nós?
Antes dos nós ela é a verdade!
Que aliena as sociedades construídas após a ponta do fio bem segurado!
Ela brinca de tecer humanidades
De tecer destinos
De tecer verdades!
Ela aponta um mundo que não nos pertence agora
Porque não descobrir o nosso próprio mundo?
Ensinar-nos a tecer harmonias com ele.
Porque não tecer o paraíso aqui mesmo?
Se o homem sonha com um mundo livre do poder destrutivo do homem
porque não?
Tecer um mundo sem corrupção
Sem fome
Sem misérias
Sem desigualdades sociais
Sem o fanatismo que ela provoca nas massas carentes
Um mundo sem abusos de poderes.
Ela quer? Não!
Ela precisa ser abusada para continuar o triunfo.
Por isso se vale do que é mais caro entre a humanidade.
Seu Criador!
O qual está antes da ponta que inicia
E depois da ponta que termina o novelo da religiosidade.
Porque suas mãos Criadoras
Fez uma obra que será lapidada pelo tempo
Nunca por ela
Porque está entre Ele e o Tempo que nos completará!
Ela é mais um arcanjo que contraria as intenções do Criador!
Que desinteressada ou interessadamente
Prolonga os liames que nos unirão
A Deus e ao tempo harmonicamente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.

quarta-feira, 24 de julho de 2013



E SE EU PUDESSE

E se eu pudesse mandar flores para o céu
Um buquê ou uma imagem via internet
E se eu pudesse!
Mandaria para ela
Minha orquídea que floresce na varanda.
Sapatinhos de noivas!
Delicada e de beleza rara
Como ela fora entre nós.
E se eu pudesse vê-la
Na leveza d'alma
Eu a abraçaria como nunca fiz
Falaria de amor fraterno como nunca falei
Caminharia com ela
pelas estradas da fazenda
Chutando pedrinha e gravetos
Simulando pega-pega
Cantando “ eu nunca amei ninguém como eu te amei”
Perguntaria para ela
Como é a outra vida!
E para despedir-se
Convidaria-a para um abraço de almas
Que demoraria o tempo de ela
Como um suave perfume
Evaporar-se no tempo que nos separam.
E se eu pudesse voltar o tempo
Voltaria à infância
Na casa de pau-a-pique
De sala sem móveis
De quarto sem camas
De cozinha com fogão a lenha
De terreiro amplo às brincadeira infantis
Voltaria!
Às noites de maio
Só para vê-la cantando a ave-maria
Só para vê-la debulhar o rosário clamando dias melhores.
Voltaria!
Às manhãs cotidianas para sentir o cheiro do café sertanejo que ela fazia
Ah!
E se eu pudesse!
Eternizar momentos!
Eternizaria os raros sorriso que brotavam de sua face
Porque eram tão belos quanto raros.
Ríamos da simplicidade de nossas vidas
Quando confabulávamos os cômicos momentos do dia.
Risadas gostosas livres da malícia dos adultos.
Reinava em nós uma infância
Tanto de escassez materiais
Quanto de momentos felizes
Tudo verdejava e secava
Como o clima nordestino
Que nos embalou a vida.
Ah!
E se eu pudesse mudar o destino!
Mudaria a consciência política de nossa época
Porque faltou a água que sacia a sede do saber!
A lua da educação passava sempre minguante pelo nosso sertão.
Não descobrimos o mundo!
Apenas o nosso minguado “mundo”!
Empoeirado no esquecimento
Castigado no tempo.
Esquecido, por isso configurava sofrimento.
Mudaria a rota de meus antepassados
Talvez o nome dela estivesse hoje
Na lista dos grandes nomes
Da literatura deste País
Que ainda hoje anda em caminhos tortos
Pagando caro pelos atalhos.
Ah!
E se eu pudesse mudar a História humana
Contaria a verdadeira História de Jesus
A verdadeira origem de Deus!
Se eu pudesse!!!
Agora faço o que posso
Guardá-la no aconchego de meu coração saudoso.
Esperar o tempo que nos aguarda
Caminhar nos caminhos de minha geração.

MATIAS de Araújo, Jurandir.

terça-feira, 23 de julho de 2013



SEXO VIDA E DEUS

Sarcástica esquisitona!
Diz-se crente, destarte casta, pudorosa.
O senhor salva dos olhares alheios.
Tudo em outrem soa pecado
Tudo em si já está perdoado.
Disse-lhe o pastor!
Desde que seja ovelha mansa
Cativa ao Livro.
Achei cômico o discurso dela
Ao vender produtos de sex-shopping
O “bruninho” era anormal
Quem aguentaria isso? Pensei!
A diversidade de gel causava curiosidade
Que exita
Que esquenta
Que adormece
Que dar sabor . . .
Órgãos de silicone
Órgãos avulsos
- Para que se estressar com homens brutos, ciumentos, agressivos
Tenho a solução, ela dizia!
Sarcástica esquisitona!
Nem corada ficava
Falava de sexo e de Deus
Como se um completasse o outro
Completa?
Era como matar e curar ao mesmo tempo
Se dar aos prazeres da carne
E pedir perdão a Deus!
Sarcástica esquisitona!
Deus está cheio de filhos vagabundos
Usando seu santo nome em vão
Na política
Na religião
Nos guetos
Nas famílias
Nas comunidades
Nas classes e em todas as vivências do homem!
Filhos oportunistas
Se valem do poder do Pai
E justificam suas atrocidades
Seres que entremeiam
O céu e o inferno
Em prol do benefício próprio!
Quando penso em filiação divina
percorro um mundo que ninguém imagina
Tanto bem e tanto mal
Tanto amor e tanto ódio
Tanta guerra e tanta paz
Tanta justiça e tanta injustiça . . .
Deus é todo amor
De onde vem tanto horror!
Será que somos filhos de um Deus do amor com uma Deusa do ódio?
E nessa guerra eterna de um contra o outro
Fomos subjugados à eles para fazermos nossas próprias escolhas?
Muitos optam pelo bem
Muitos optam pelo mal!
Seria esse nosso conflito com a vida carnal?
Nosso martírio espiritual?

MATIAS de Araújo, Jurandir.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

CONTEMPTORES.

As bocas e olhares delatam contemptores da vida.
E assim a vida se vai desprezada.
Os homens distribuem traços que os apontam como contemptores
da natureza e de suas próprias vidas
e mais ainda do meio em que vivem
Estão distribuídos em suas faces fugidias
em seus membros de pêndulos
em seus trejeitos corporais
... mas, são a boca e o olhar que os entregam
contemptores do mundo que os rodeiam!
Umas caídas
outros fixos
umas semprabertas
outros sempre buliçosos
umas serradas
outros oblíquos e tristes.
Sempre, sempre . . .
eles os delatam!
E por essa de desprezar
suportam a corda no pescoço
que estendida lá da galáxia
os encurralam e tiram-lhes
as vozes
a coragem
a força.
Os enforcam!
Quem os fizeram contemptores passivos?
A religião, a política, o trabalho?
E porque sou contemptor desses trejeitos humanos?
É uma vontade das Fúrias
de cirurgicar as caras e bocas contemptoras e
trazê-las à realidadehumana
que me faz um quase misantropo na era tecnológica.
A vida tecnologicada
nos torna passivos diante de nossos direitos.
Nos coloca um véu diante de nossa Divindade humana.
Nos faz homens deuses de energias roubadas.
Daqui a 50 anos
não seremos mais 100% humanos.
Um Q das máquinas estará nos soprando a vida
a qual se tornará teimosa em querer apossar-se do tempo dos Deuses.
Essa vida buliçosa
que de humana vive se alternando interna e externamente
de época em época
de geração em geração
de século em século
de vida à vida eternamente infinitadentro.

MATIAS de Araújo, Jurandir.
MORTE MAU DITA.

Teu nome jamais deveria ser morte
Deveria ser transmutação!
Veja, mau dita
O corpo que dizem morrer
E a ti selam a culpa
Não morre essencialmente!
Ele transpõe à verdadeira vida
Que não é matéria essência.
... Mesmo o corpo que falece aos olhos humanos
Não morre.
Indesejada!
Porque é ele todo vida.
E mesmo a ti subjugado
Prolifera em milhões de vidas em baixo dos sete palmos destinados.
Porque não cremar?
Porque tu te consumarias!?
Mesmos assim, religião do medo
Tu não tens sentido amplo.
Pois as cinzas do bocado humano
abundam vidas microscópicas
Que alimentaram outras vidas
E de vidas se faz redemoinho
O qual a te não pertence!
Tudo é vida porque tudo se transforma.
Porque morte?
Tu és um estado temporário
Que não passa dos limites da transformação!
Mas, porque assustas tanto nossa raça?
Sou obrigado a te isentar de culpa.
Porque fomos nós teus criadores
Presumo na mais tenra ignorância.
Tu és da leva dos medos
Que a maldita semeou nas mentes vinhas dos filhos da ganância.
Fostes e és bem aproveitada no submundo Terreno!
As lágrimas que a ti derramam
Não passam do medo que temos da solidão
a qual pertence a tua leva.
O que uma voz maldita produz, se não ecos malditos?
Ah! se as vozes do Mundo ecoassem cânticos de amor e de paz
A maldita não teria te semeado nas terras férteis da humanidade.
Choro porque meu tempo ainda a ti e a ela pertence.
Choro porque a maldita se transformou e ecoa nos quatro cantos do mundo!
A massa ignara se desmancha em lágrimas mau ditas
de solidão, carências e medos estapafúrdios
que a maldita semeia nas mentes aduncas das pobres almas
as quais são levadas nas enxurradas do desespero
e com ela levam toda sua dignidade de ser humano.
Ignaras almas que se deixam usar nos termos da passividade!
Tu jamais deverias te chamar de morte quando transmutas as almas
cansadas do peso da maldita, inconscientemente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.
VIDA VERDEJA A SAUDADE DESEJA.

Lá fora a vida verdeja e pula e grita
E nasce e cresce e morre
E mata e cura e tortura
E aquieta e adormece e agita.
Eu cá num quarto fechado
Sentado na cama
Balançando para lá e para cá
Lembrando o ritual de paz
De Manuel e Miúda!
É que quando crianças
Eles se sentavam numa pedra defronte do barreiro
Em cima das pernas
balançando para frente e para trás cantando:
Você perdeu um amor sem saber dar valor
Tu, tu, tu, tu ,tu . . .
Você perdeu um amor . . .
E repetiam inúmeras vezes este refrão
Que era um mantra!
Manuel não passou de criança.
Miúda cresceu uma altista incompreendida
E sofreu muito por causa disso!
Não conseguiram ensiná-la a ler, nem a escrever.
Bateram-na muito!
Chamaram-na de louca e meretriz
Porque aprendeu a oferecer o sexo aos “homens” e engravidou.
Teve o filho, mas o médico achou bom castrá-la.
Eu canto – você perdeu o amor sem saber dar valor . . .
Quando as amarguras da vida tentam roubar a minha paz de espírito.
Lembro de Manuel
Menino loiro com cachos de são joão menino e
Olhos grandes azuis
o quais uma febre incompreensível vestiu-se morte e os levou.
Lá fora a vida verdeja e pula e grita
Cá ela se acalenta nas lembranças
Banha em lágrimas minha alma amargurada e saudosa
De manuel e de Neta.
E lamentosa de Miúda
Que vive a amargurar a vida em meio aos leões de sua cor.
Lembro de Neta, menina recatada e tímida
Que obrigou-se ao celibato das freiras
Entregou-se aos afazeres da casa paterna
E não passou dos 41.
Uma taquicardia malvada e repentina se fez de morte e a levou.
Imaginem dois corpos idênticos
Um feminino e outro masculino
Assim éramos Neta e Eu.
Eu canto – você perdeu um amor sem saber dar valor . . .
porque peço paz aos/ e para meus amores que se foram.
Quando nos deparamos com as coisas incompreendidas da vida
Ou nos revoltamos contra elas
Ou cantamos feito Manuel e Miúda
A música do desvalor que damos à vida e aos amores
Que ela nos oferece.

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.
Ver mais
 


BITEMPO.

E o tempo do homem passa depressa
Limitado como a roseira em flor
Lindos botões que afloram
Lindas rosas que desabrocham
Lindos buquês de amor!

Depois murcham e caem sobre a mãe que as gerou
Terra!

Lindo amor que gera
Lindo bebe que nasce
Linda criança que cresce
Lindo jovem que luta
Lindo adulto que pensa
Lindo ancião que descansa
linda história de amor.


depois perde as forças e cai sobre a mãe que os gerou
Terra!

Um circulo de ciclo implacável
Que se aninha no tempo de seu Criador
Terra!


Dito infinito, eterno, de pleno amor
Que gerou o Universo
E os confins do infinito
no b-aba do inaudito
Ao homem se declarou
Deus!

Tempo!
Já o disseram tambor de todos os ritmos!
Deus ou o tempo?

Com o universo vazando aos olhos humanos
Tudo se encolhe e se expande no
tempo , no espaço
no passado no presente, no futuro
Tudo passa de pressa
Tudo demora!
E o limite é a instabilidade do tempo
que escorre nas fibras semióticas da virtualidade.
Bitempo!


E hoje vivemos em dois tempos
O tempo do homem
E o tempo do tempo
Ambos se olham tergiversando
Rumo ao futuro do tempo!
Deus!

MATIAS de Araújo, Jurandir.