quarta-feira, 24 de julho de 2013



E SE EU PUDESSE

E se eu pudesse mandar flores para o céu
Um buquê ou uma imagem via internet
E se eu pudesse!
Mandaria para ela
Minha orquídea que floresce na varanda.
Sapatinhos de noivas!
Delicada e de beleza rara
Como ela fora entre nós.
E se eu pudesse vê-la
Na leveza d'alma
Eu a abraçaria como nunca fiz
Falaria de amor fraterno como nunca falei
Caminharia com ela
pelas estradas da fazenda
Chutando pedrinha e gravetos
Simulando pega-pega
Cantando “ eu nunca amei ninguém como eu te amei”
Perguntaria para ela
Como é a outra vida!
E para despedir-se
Convidaria-a para um abraço de almas
Que demoraria o tempo de ela
Como um suave perfume
Evaporar-se no tempo que nos separam.
E se eu pudesse voltar o tempo
Voltaria à infância
Na casa de pau-a-pique
De sala sem móveis
De quarto sem camas
De cozinha com fogão a lenha
De terreiro amplo às brincadeira infantis
Voltaria!
Às noites de maio
Só para vê-la cantando a ave-maria
Só para vê-la debulhar o rosário clamando dias melhores.
Voltaria!
Às manhãs cotidianas para sentir o cheiro do café sertanejo que ela fazia
Ah!
E se eu pudesse!
Eternizar momentos!
Eternizaria os raros sorriso que brotavam de sua face
Porque eram tão belos quanto raros.
Ríamos da simplicidade de nossas vidas
Quando confabulávamos os cômicos momentos do dia.
Risadas gostosas livres da malícia dos adultos.
Reinava em nós uma infância
Tanto de escassez materiais
Quanto de momentos felizes
Tudo verdejava e secava
Como o clima nordestino
Que nos embalou a vida.
Ah!
E se eu pudesse mudar o destino!
Mudaria a consciência política de nossa época
Porque faltou a água que sacia a sede do saber!
A lua da educação passava sempre minguante pelo nosso sertão.
Não descobrimos o mundo!
Apenas o nosso minguado “mundo”!
Empoeirado no esquecimento
Castigado no tempo.
Esquecido, por isso configurava sofrimento.
Mudaria a rota de meus antepassados
Talvez o nome dela estivesse hoje
Na lista dos grandes nomes
Da literatura deste País
Que ainda hoje anda em caminhos tortos
Pagando caro pelos atalhos.
Ah!
E se eu pudesse mudar a História humana
Contaria a verdadeira História de Jesus
A verdadeira origem de Deus!
Se eu pudesse!!!
Agora faço o que posso
Guardá-la no aconchego de meu coração saudoso.
Esperar o tempo que nos aguarda
Caminhar nos caminhos de minha geração.

MATIAS de Araújo, Jurandir.

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