segunda-feira, 26 de agosto de 2013


COMO É UM ADEUS?

Uma casa com escadaria de igreja
Um lampião a gás
Um altar para os Santos
Um oratório para Deus
Bancos de madeira
O mês de Maio
Crianças felizes
Adultos cansados da labuta diária
E uma Senhora rezadeira.
Assim eram as noite de maio da infância de meus epocanos e eu
No Sítio Zé Paz.
Madrinha rezava como uma Deusa a chamar benevolências
Sua voz límpida e aguda abraçava todo o luarejo longínquo.
Os mais velhos que principiavam a dormir
suspiravam resignados
Tão Divina eram as vozes que vinham da casa dela.
Crianças e adultos entoavam as ave-marias angelicalmente
E cobria-se o Sítio de paz!
Tudo era encantador naquelas noites
As ladainhas
As ave-marias
Os cânticos marianos
As estórias que ela contava, sempre com lições morais
As previsões de um Guia que a usava
Tudo!
Ali muitos caráteres foram formados!
Muitos sonhos embalados nas asas do Divino amor
Muitos casais se formaram
Muitos jovens se namoram
Muitas crianças brincaram a valer.
Mas, um dia deste mês santo,
Acentuava felicidades nos rostos familiares
As queimações das flores!
As canafistulas do mês contribuíam
Todos os frequentadores dos terços as colhiam e floriam o altar.
Madrinha as reserva para o grande dia
Meninas vestidas de anjos
Senhoras bem comportadas
Homens sérios demais, por achar aquilo coisas de mulher
Circundavam um fogueira fumegante
E cantavam os cântico marianos
E jogavam as flores secas como presente aos santos
Numa suplica de Paz e bons tempos!
A seca as vezes era o maior castigo.
Porque tirava os maridas de suas esposas
Eles iam escravizar-se nas usinas canavieiras do agraste brasileiro
Elas zelavam o único patrimônio
Os filhos!
E Madrinha rezava por eles
E por elas e por todos.
Quando o cansaço tomou conta da rezadeira
O encanto foi-se acabando
A modernidade das coisas chamou os sitianos à cidade
E o Lugarejo quase desertou-se
Não mais noites de maio
Não mais ave-marias
não mais louvores a deus!
Como se uma luz tivesse se apagado.
Agora as noites dos jovens são embaladas pela internet
Que quebrou o paradigma!
90 anos de vida e ela se foi marcando época
O fim da época das novenas sinceras de maio
Ela se foi com missão cumprida.
E relatará a Deus suas façanhas de mulher destinada
Uma vida vale uma missão!
Feliz daquele que a percebe e a termina gloriosamente como ela fez
É um lamento e uma homenagem
Para uma mulher de terno amor
Que continuará a semeia-lo lá do alto.
Devolveu à Terra o abrigo de sua alma
Voltou à sua morada primeira!
Um adeus é dolorido
Mas temos que dá-lo assim mesmo
Adeus Madrinha
Adeus!!!!!!

MATIAS de Araújo, Jurandir.




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