quarta-feira, 27 de novembro de 2013




O TODO ESTA CHEIO DE PARTES DO TODO.

O todo não é um todo
O todo é multifacetado
Multi-dividido
Multi-individualizado
É como a cidade de São Paulo
Antropófaga
Telescópica
Diagnóstica
Multifacetada
Multi-temporal
Carnavalesca
Burlesca
Caricata
Pernóstica
Sub-natural.
Inóspita para a afloração das subjetividades que querem ser objetivas
Quem sou eu?
Quem é o outro?
Se mostramos nossa cara lavada sem a máscara
Sem o pó
Sem o brilho falso
Sem o sorriso forçado
A antropofagia, o telescópio, o diagnóstico, o carnaval, . . .
Nos lançam nos braços da dilaceradora de seres
A mídia!
Que de princípio nos acalentam
Depois nos jogam na fogueira da intolerância
E reduz-nos ao pó da invisibilidade!
Cuidado com ela!
É tão impiedosa quanto a santa inquisição
Tão poderosa quanto.
É ela própria disfarçada de modernidades
E agora, não perdoa nem os que a fizeram nascer em tempos de ignorância
A mídia é voz insidiosa colocada na boca das massas
Principalmente quando elas ignoram a realidade das coisas sociais.
É um tal de consumismo
De individualismo
De egocentrismo
É uma tal de invisibilidade
De incapacidade
De inimizade
De disputabilidade
Todos e todas exacerbadamente exageradas.
É o todo social distribuindo suas partes mais midiáticas
As partes insólitas da sociedade insólita.
As reverberações são ocultadas nas nesgas da infamada.
Como se o lado diabólico prevalecesse nos indivíduos
ornado de brilhos falsos
Na caçada da lucratividade engenhosa do famoso “jeitinho brasileiro”.
A máscara é belíssima e anti-burocrática.
A verdade anda mais para o submundo
Que se mostra de cara lavada
Porque roubaram-lhes a cota de inclusão.

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.

terça-feira, 5 de novembro de 2013



EU, DESIDÉRIO NA BALADA.

O que ativa nosso faro sexual é foda
Outro dia
Numa típica noite de balada
Deparei-me com um rotulado nóia
Ele estava semi-vestido
Mostrava seu corpo esbelto, mas bem definido
Corpo de quem se exercita rotineiramente
O modo não sei!
Instintivamente percebi que acabara de dar uns tragos
Na erva ou na pedra queimada.
O álcool certamente acentuava sua embriaguez
Passou perto de mim
Intimou-me com uma voz melódica
Paralisou-me com a mistureba de cheiros fumálcool.
- Tu fumas mano?
Paralisou-me em segundos
Senti-me todo molenga
Todo dado aos prazeres da carne
Como que uma erupção hormonal se fizesse dentro de mim
Um calor vaporoso acendia meu corpo
E o combustível era o cheiro do rapaz
Embriagante!
Ceifador de sentidos racionais
Encostou-se bem perto e fixou o olhar no meu
Como que para enxergar meu mundo destroçado pela sua embriaguez
O cheiro penetrava minhas entranhas como um êxtase fatal
Não tive reação sequer para responder-lhe a pergunta de fumante
Quando o não conseguiu sair
Foi cortado
Nã......... ão.
- Tens um real? Pra eu comprar um solto, aliii
Antes que eu respondesse
Ele instintivamente começou a massagear seu órgão
E debochadamente ria a olhar-me
Insinuação assediadora !
Parecia que o Largo sumira de minha visão delatada
E outro lugar desconhecido se fizesse presente
O que minha mente perturbada conseguia registrar
Eram só um sorriso malicioso numa voz melosa e um órgão buliçoso
Todos os meus sentidos rebaixaram-se ao que me sobrepôs
O olfato deliberadamente se tornou canino
Um reeé . . aal?
Tenho sim!
Saquei-o do bolso exitadamente nervoso
Mas, antes que eu o entregasse
Ele arrancou-o de minhas mãos e relampejou largo-adentro
Aquele cheiro misturado que se espalha nas baladas
Embriaga mais do que o contato com a própria droga
E o viciado sabe disso filosoficamente
Ali não se trata de amores
Se trata de prazeres orgânicos e orgásmicos.
O fato é que um real não compra um michê
Mesmo ele nos braços da compulsividade viciada
Foda é comprar prazeres
Foda é adentrar as zonas da “boca do lixo” em busca dele
Foda é entender a polivalência do ser humano
Foda também é que não sou dado à caça
Mas, nesse dia . . .
Queria viajar na brisa que nos leva ao mundo da anti-gravidade
Queria buscar respostas para a fornicação
Que me arrebata nas noites solitárias de um monogâmico como eu.
Passei a noite a requebrar o esqueleto
Bebi, dancei, beijei, cantei
Me vigiei, mas não fui às vias de fatos.
Voltei manhãnzinha
O sol já contemplava o novo dia
Abri a porta e deparei-me com ela esparramada em minha cama
Silenciosa e pronta para abraçar-me novamente.
A solidão.

MATIAS de Araújo, Jurandir 2013.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013



A VIDA EM PLENO ECO.

Meu grito ecoou no infinito
E uma luz branca ofuscou minhas retinas perplexas
Um jorro de lágrimas transformou minhas pálpebras em chafariz
Condensou-se em meu corpo um véu de pura luz
Que emanava de um buraco branco
É além dele que está o paraíso perdido
Jogado num buraco negro
Pelas lamentações humanas
Limitadas na matéria
Que cega os olhos dados à ignorância espiritual
Um cântico balsâmico deu nitidez à minha voz
Sempre atropelada
E me elevou às alturas de um céu infinito e límpido
Sobre cones de nuvens
Do meu leito delatado pela vidraça
Pude ecoar meu pedido de socorro
Nas profundezas universais do Divino
Que nos puxa inconscientemente para o outro lado
O lado onde tudo flui harmonicamente
Sem o peso da gravidade
Que nos obriga a manter-se de pés no chão
Contraditoriamente
Esse grito,
Essa música,
Essa luz e minha voz masterizada no tempo
Definitivamente me lançaram num mundo desejado e desconhecido
Um mundo de pura virtualidade cibernética
E porque não internética
Um mundo fluídico comandado pela energia
Despido da matéria densa que comanda este mundo ainda incompreendido
Pelo homem que tramita os dois inconscientemente.
A vida dará seu grito de vida plena
Somente quando compreendido os dois mundos que a completa
Que a faz plena num jogo harmônico e equilibrado.
Dos inversos das coisas cósmicas e celestiais e universais.
E porque não divinas!
As revoluções vêm do encaixar das peças celestiais.
É preciso desconstruir o patrimônio do passado
Para reconstruí-lo para o futuro
O único tempo aproveitado deverás é o presente
Que nunca destrói
É um exímio reconstrutor de patrimônios culturais
vencidos pela humanidade ávida por novidades, modernidades,
E por que não por futuridades.
O meu grito ecoou numa noite de insônia desvairada
No exato momento em que meu organismo deu-se por vencido
E meu Espírito tomou-se de liberdade.
No tocante eu senti e vislumbrei ele alçar voou
Espaço-adentro!
E quanto mais eu velociava
Mais longe ficava aquele inverso de buraco negro.
Que me atraia cerebralmente.
Foi um grito de socorro voluntário
Num reencontro desesperado com o Divino
Meu corpo retesou-se como que anafilaticamente.
A volta de meu espírito simulou o choque DEA.
Meu corpo tomou-se de uma angústia de frustração
E aos poucos tomou o tino real
O problema é que aficionado pela imortalidade
Consequentemente pela dominação das forças da Natureza.
Mas a pedra em vez de está apenas no caminho
Está sobre minha cabeça aterrando-me na gravidade terrena.
O pavor me toma porque sei que só a Morte orgânica tirá-la a de cima de mim
É que acho tarde demais para conscientizar-se das coisas Divinas.
Urge em mim uma preça angustiada
Que vez e outra me faz entremear os dois mundo vitais.
E o grito ecoa inevitavelmente
No apagar das luzes corporais.

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.



sexta-feira, 18 de outubro de 2013



EU, DESIDÉRIO! LIBERDADE.

Dar-se à loucura incognoscível do instinto sexual?
O que fazer quando o organismo ferve o caldeirão hormonal e,
O sexo arde de tesão num simples olhar de silhuetas e,
A boca saliva e dessaliva previ-degustando o órgão imaginado?
A boca?
Como resistir a força de contração orgânica
atraída vestiginosamente à malícia da insinuação?
Caras e bocas e mãos bobas arrancam suspiros dolorosos
E os vapores hormonais exalam-se pelos poros e orifícios do corpo
E o estado febril te queda molemente.
Como a esvair-se tuas energias vaporosas
atraídas pela virilidade feroz.
Virilidade?
Oh! céus!
Que fomos amaldiçoadamente rotulados.
Que os séculos nos perseguem impiedosamente.
Ainda?
Não!
Assim, seria eu vetado a todos os olhos cibernéticos.
Internéticos!
O tempo cansado rende-se a Nós!
Mas, olhem as bruxas soltas pregando sandices ao vento
rebatando as últimas almas ignorantes,
alienando-as, fechando-as no ultimo vagão santo e inquisitório.
Dando a elas, adeus . . .
o Tempo fecha o circulo diabólico, carolento.
Pode-se abrir o circulo das inclusões,
das diferenças das individualidades,
da remição!
Não carregaremos mais Cruz
Carregarmos nossas diferenças e individualidades.
Um século de união espiritual e não sexual ditada pelo órgão reimoso.
As carnes se contorcerão pelo prazer das alquimias corporais.
O tabu estapafômbio
adormecerá na caverna do esquecimento.
Liberdade, liberdade.
Faz-se necessária a semeadura do Amor despreconceituoso.
Sexo sim, rótulo não!
Afinal o Amor nunca levou em considerações
feminino e masculino,
homem e mulher.
O Amor é incondicionalmente humano.
Amar é o combustível da vida humana inevitavelmente!
Liberdade, liberdade . . .
O Universo urge a expandir-se!
E o olho humano precisa enxergar o alargamento
Liberdade, liberdade. . .

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013


COMO É UM ADEUS?

Uma casa com escadaria de igreja
Um lampião a gás
Um altar para os Santos
Um oratório para Deus
Bancos de madeira
O mês de Maio
Crianças felizes
Adultos cansados da labuta diária
E uma Senhora rezadeira.
Assim eram as noite de maio da infância de meus epocanos e eu
No Sítio Zé Paz.
Madrinha rezava como uma Deusa a chamar benevolências
Sua voz límpida e aguda abraçava todo o luarejo longínquo.
Os mais velhos que principiavam a dormir
suspiravam resignados
Tão Divina eram as vozes que vinham da casa dela.
Crianças e adultos entoavam as ave-marias angelicalmente
E cobria-se o Sítio de paz!
Tudo era encantador naquelas noites
As ladainhas
As ave-marias
Os cânticos marianos
As estórias que ela contava, sempre com lições morais
As previsões de um Guia que a usava
Tudo!
Ali muitos caráteres foram formados!
Muitos sonhos embalados nas asas do Divino amor
Muitos casais se formaram
Muitos jovens se namoram
Muitas crianças brincaram a valer.
Mas, um dia deste mês santo,
Acentuava felicidades nos rostos familiares
As queimações das flores!
As canafistulas do mês contribuíam
Todos os frequentadores dos terços as colhiam e floriam o altar.
Madrinha as reserva para o grande dia
Meninas vestidas de anjos
Senhoras bem comportadas
Homens sérios demais, por achar aquilo coisas de mulher
Circundavam um fogueira fumegante
E cantavam os cântico marianos
E jogavam as flores secas como presente aos santos
Numa suplica de Paz e bons tempos!
A seca as vezes era o maior castigo.
Porque tirava os maridas de suas esposas
Eles iam escravizar-se nas usinas canavieiras do agraste brasileiro
Elas zelavam o único patrimônio
Os filhos!
E Madrinha rezava por eles
E por elas e por todos.
Quando o cansaço tomou conta da rezadeira
O encanto foi-se acabando
A modernidade das coisas chamou os sitianos à cidade
E o Lugarejo quase desertou-se
Não mais noites de maio
Não mais ave-marias
não mais louvores a deus!
Como se uma luz tivesse se apagado.
Agora as noites dos jovens são embaladas pela internet
Que quebrou o paradigma!
90 anos de vida e ela se foi marcando época
O fim da época das novenas sinceras de maio
Ela se foi com missão cumprida.
E relatará a Deus suas façanhas de mulher destinada
Uma vida vale uma missão!
Feliz daquele que a percebe e a termina gloriosamente como ela fez
É um lamento e uma homenagem
Para uma mulher de terno amor
Que continuará a semeia-lo lá do alto.
Devolveu à Terra o abrigo de sua alma
Voltou à sua morada primeira!
Um adeus é dolorido
Mas temos que dá-lo assim mesmo
Adeus Madrinha
Adeus!!!!!!

MATIAS de Araújo, Jurandir.




quinta-feira, 22 de agosto de 2013



ANDRESSA.

Eu ainda estava na datilografia – a s d f g, ç l k j h .
E uma menina nasceu para o computador
Ate hoje não entendi nosso separamento
Vi-a quando bebezinho, rosada como uma flor desbrochando
Numa visita assustada da mãe à casa dos quatro irmãos
Olhei-a fixamente por segundos de contemplação
Algo me dizia que a volta seria longa
Que aquele anjo ressem-chegado
Iria encanta outra família
não a minha!
A despedida tímida da mulher esboçou um sentir doloroso
Meu coração sentiu o dela fraternamente e calou-se
O pai cumpriu o veredicto da lei amorosamente
E os raros encontros afirmaram seu amor pela pequena
Eu nunca estava lá!
Sentia as angústias culpadas de tio
O tempo passou 17 primaveras
E a flor desbrochou completamente
Sua rara beleza navegou o mundo cibernético
E num clic invadiu meu facebook
Vantagens das redes sociais
Ela reclamava um amor ciumento
E as poses fotográficas me traziam imagens delatadoras dos laços consanguíneo
O olho
O olhar
A boca
O sorriso
O tipo físico
Os cabelos
Remetiam às mulheres da Família
É ela!
O bebezinho rosado tornou-se uma linda mulher
Andressa!
Bela, femininíssima, encantadora!
O destino cumpriu seu papel caprichosamente
As atribulações a que passou não sei
Os momentos que marcaram suas fases também não
Mas sei que vive e labuta para seguir em frente
O resto o destino dirá
E o tempo fará acontecer!
O amanhã é ócio do Criador.
Estou aqui
Ela está lá
Disponibilizado a acolher as reservas do destinador
Os acontecimentos não são acasos.
A vida é tecedora de emoções inesperadas.
Que nos obriga a ficar na fila aguardando a vez!
E a tecnologia abre páginas da individualidade alheia
A distância se faz fisicamente
Porque o mundo virtual a reduziu à clics.
Adeus a s d f g . . .
É um prazer Andressa Matias.

MATIAS de Araújo, Jurandir.








quarta-feira, 21 de agosto de 2013


SONHO COM ARTISTA

Senti vontade de caminhar no invisível
Delatar minha visão de Espírito encurralado na matéria
As janelas se abriram largamente por uns segundos
Vislumbrei coisas plasmadas
Silhuetas humanas feito chamas
Tudo se configurava em um plano sem fim
Sem teto nem chão
Nem abismo algum!
Era como gotas misturando-se ao imenso mar.
Meus sentidos não divisavam coisa alguma
Apenas sentia leveza nas coisas indefinidas
O sentimento que reinava era o de integrar um todo harmônico
Eu fazia parte daquilo tudo inevitavelmente
A imagem era toda branca
A diferença se fazia numa escala de tons
Que variava do reluzente ao opaco da cor!
Tudo branco.
Talvez a neve que me fascina impregnou meu sonho.
Procurei um abrigo em meio à brancura do lugar
Avistei uma porta de um branco metálico
A aproximação me definiu uma casa reluzente
As formas plasmadas se distinguiam paulatinamente à minha visão inacostumada
Ao abrir os olhos no início
Era como olhar o céu sem nuvens, ensolarado
Em vez de azul, branco!
Entrei na casa decorada de tons de branco e metálico
Haviam gente, toda de branco
Eu convidado esperado
Aproximei-me de um balcão.
Limão, xarope de groselha e vodka!
O verde e o vermelho eram as cores saltantes.
A figura de Jô Soares estava me esperando para prepararmos juntos a bebida
Cortei os limões, ele macerou-os
Despejei a bebida, ele despejou fios de groselha
os quais depositaram-se no fundo do copo bojudo.
Fazendo caipirinha no Céu com Jô Soares!
Que sena maravilhosa!
Todos se divertiam numa brancura só
Roupas, calçados, acessórios!
Existe essa bebida com vodka, limão e groselha?
O fato é que o Jô e Eu,
resgávamos intimidades de amigos seculares!
Ríamos e
Uma música extraterrena apaziguava o lugar
Vodka?
Era uma bebida que me insinuou-a ao acordar.
Limões?
Era uma fruta que me fez o mesmo
Groselha?
Também!
O peso da matéria carrega sua marca além Terramar.
Talvez o encarceramento de um sonho
Tenha me colocado em intimidades com tantos artista em sonho.
Não é só o Jô que me visita noutra dimensão
Vários são eles que vez em quando povoam meus delírios madrugais.
Eu sou artista?
Talvez,
Trancafiado feito meu sonho Juvenil
Que teima em gritar na imensidão de meu ser
Eu indigno dele o sufoco aventurando-me em sonhos menores!
Quem vai entender?

JURANDIR MATIAS DE ARAUJO.




DESACREDITADO DA MORTE DA VIDA.

Dizer que a morte do corpo é o fim da vida
Não cabe mais neste século da espiritualidade
Aprendemos a nos enxergar em outra dimensão
A vida ultrapassou o signo humano
O Divino foi resgatado numa “certeza” imortal do Espírito
Este Ser estagiário dos “mundos” incontáveis no Universo do Criador!
Apreendemos os benefícios da reencarnação
Que nos abre portas à novas oportunidades de apurar nosso ser imortal
Percebemos a verdadeira potência das duas forças que regem o mundo
Agir nelas nos leva aos extremos da vida
Quanto mais as incitamos
Mais contagiam o que nos circundam
Hitler extremou uma delas mirando vidas humanas, ceifou-as!
Madre Tereza equilibrou-as, dignificando-as!
Dois extremos inevitavelmente impostos
Afim de nos fazer descobrir o verdadeiro sentido da vida em essência.
Harmonia equilibrada entre as duas potências divinas
Nem mais nem menos!
Como brincar na gangorra!
Uma dosagem precisa das diferenças.
O Mundo precisa exatamente disso!
Fazer valer as diferenças que comportam cada indivíduo, cada ser!
O grito agora é humanizar-se no primor da raça.
O problema ainda, está nos desprimorados fazedores de deuses
Que recolhem as massas carentes para seus covis insanos!
E tudo em nome de Deus!
Insanos!
Que retardam a marcha que ruma ao equilíbrio humano labutado nas diferenças.
Distorcem destinos
Vendem paraísos utópicos no Céu
Enfadam Deus com as lástimas egoísticas de fieis alienados
Insanos!
Acumuladores de tesouros angariados no suor da massa
Que sonha com tesouros materiais vindos do Céu.
Insana!
Desgarrada do poder do trabalho em conjunto
Individualista
Solitária
Fanática!
Sofredora involuntariamente!
Os desprimorados se enchem de primores
Furtados da primazia dessa massa cegada com discursos retóricos infundados.
Primazia ludibriadas descaradamente
Pela insanidade dos “representantes” de Deus!
Este século não é mais de morte!
É de transmutação
É de vida após a morte do pesado corpo terreno
Deve-se fazer valer a vidas em suas formas diversas
Angariar experiências nos “Mundos” do Criador
Isso é insanidade?
Isso é utopia?
Isso é fuga da realidade?
Sua visão de mundo é quem dirá!
Não acredito mais na Morte da vida.

MATIAS de Araújo, Jurandir.




quinta-feira, 15 de agosto de 2013



DELÍRIO E SONHO.

No subeijo da Morte está meu maior delírio
Vez ou outra acordo madrugado
Com minha alma decifrando o signo odioso
Antes que recobro a consciência sã
Sinto-a levitar observando o cadavivo
Coração pulsa zabumbado ecoando no vazio imaginado
Pensamento aperta pausa na cena acre do desassossego secular
Morte!
Meu delírio não é de pavor, nem de medo
É de dúvida, a que entremeia os “Mundos”
É de perceber o véu negro que oculta o que dita a alma
Cadavivo dita morte
Alma dita vida eterna
E os sonhos os levam à berlinda
Eu, ser duo inevitavelmente
Vivo sempre nas trincheiras da vida angariando tempo
O Tempo de Fênix.
Meu delírio grita a impossibilidade da imortalidade do corpo
porque tenho sede de ir até a inabitabilidade do Planeta
Como é Mercúrio e outros.
Imortalidade é o sonho ousado da dualidade que me completa como ser
Eu desejo carregar milênios de Cultura
De transformação
De evolução humana!
Eu queria ter nascido com o primeiro “Bum”
E carregar na memória o filme que conta a História desse Planeta incrível.
Quantos anos eu teria?
Hah!
Eu que nem sei se o que temos é vida
Desejo a eternidade deste signo humano
Se não fosse o negro véu
Abordaria a Divindade humanamente suposta.
De onde ela marionetiza nossa raça?
Outro delírio que me diz insano.
Os loucos já disseram onde ela vive,
Como ela é
E a sua pretensão.
E os lúcidos?
O que disseram?
Lucidez é um ato de loucura!?
Loucura é o exagero da lucidez!?
São retalhos de culturas observadas e lidas
Que me jogam na casa do verbo delirar
Na verdade eu vivo na casa do tergiversar!
A pesar de achá-lo insuportável à vida.
Aqui, desde a Cúpula até a base vive-se tergiversando sem culpabilidade alguma.
É cultural, já disseram!
Como a morte
Como a alma
Como a Divindade
Como os signos
Como os delírios e o sonhos.


MATIAS de Araújo, Jurandir.



segunda-feira, 5 de agosto de 2013



VIDEUS.

Se o homem encucasse que o ato de viver e sobreviver
Impregna também os sentimentos e pensamentos
Jamais deixaria o que há de divino dentro dele
Externar-se às instituições religiosas
E assim ele não precisaria delas
Para sentir e usufruir das revigorantes emanações
Transmitidas de Deus para sua vida!

Me comove a carência das massas
Me assusta a facilidade de alienação
Me arranca lágrimas o clamor a Deus
como se ele não estivesse em nós!
Como se ele estivesse apenas nos líderes religiosos
que arrastam multidões!

Onde está o elo perdido que unia Criador e criatura
Num laço emanado de ambos?
Porque precisamos que nos digam
Como encontrar o nosso Artesão?
Se todos saímos das mesmas mãos!

O poder de Deus está em nós mesmos!
Impregnado feito o perfume nas flores!
Necessário como o alimento que move as vidas
Porque ele também está nos alimentos
Como em todas as coisas.
Já foi dito!

Se o homem entendesse que Deus
É o Todo que conjuga o verbo existir
Se sentiria parte Dele
E assim não precisaria mais
Formar multidões em sua busca
Construir Palácios para idolatrá-lo
fazer de sua voz gritos de fúrias para clamá-lo!

O próprio pensamento que emana do homem
É suficiente para sentir-se presente na presença de Deus
Porque Ele é presente nas várias formas de vidas
Mesmo que estas vidas não o percebam
Por serem insensíveis à divindade.

Quem disser que somos deuses não estará blasfemando
Visto que somos filhos de Deus
Por que dissera que “filho de peixe peixinho é”
Ou não!?

MATIAS de Araújo, Jurandir.

sexta-feira, 26 de julho de 2013



A RELIGIOSIDADE.

Ela pegou a ponta do fio do novelo que tece as carências humanas
Desde então
Teceu a seu bel prazer as lindas cambraias
Que enfeitam os caminhos que a humanidade percorre adentrando séculos.
Tece tão majestosamente
Que precisa os nós que atam o livre pensamento
Pensamos até o nó!
Raros são os que conseguem desatá-los
E os que o fazem
São perseguidos até os liames da loucura
Porque são loucos?
Adiante dos nós há "verdades" contemptoras
Ela precisa atá-los para triunfar nas massas!
Porque as massa não são loucas?
Porque as massas não aprenderam desatar nós?
Antes dos nós ela é a verdade!
Que aliena as sociedades construídas após a ponta do fio bem segurado!
Ela brinca de tecer humanidades
De tecer destinos
De tecer verdades!
Ela aponta um mundo que não nos pertence agora
Porque não descobrir o nosso próprio mundo?
Ensinar-nos a tecer harmonias com ele.
Porque não tecer o paraíso aqui mesmo?
Se o homem sonha com um mundo livre do poder destrutivo do homem
porque não?
Tecer um mundo sem corrupção
Sem fome
Sem misérias
Sem desigualdades sociais
Sem o fanatismo que ela provoca nas massas carentes
Um mundo sem abusos de poderes.
Ela quer? Não!
Ela precisa ser abusada para continuar o triunfo.
Por isso se vale do que é mais caro entre a humanidade.
Seu Criador!
O qual está antes da ponta que inicia
E depois da ponta que termina o novelo da religiosidade.
Porque suas mãos Criadoras
Fez uma obra que será lapidada pelo tempo
Nunca por ela
Porque está entre Ele e o Tempo que nos completará!
Ela é mais um arcanjo que contraria as intenções do Criador!
Que desinteressada ou interessadamente
Prolonga os liames que nos unirão
A Deus e ao tempo harmonicamente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.

quarta-feira, 24 de julho de 2013



E SE EU PUDESSE

E se eu pudesse mandar flores para o céu
Um buquê ou uma imagem via internet
E se eu pudesse!
Mandaria para ela
Minha orquídea que floresce na varanda.
Sapatinhos de noivas!
Delicada e de beleza rara
Como ela fora entre nós.
E se eu pudesse vê-la
Na leveza d'alma
Eu a abraçaria como nunca fiz
Falaria de amor fraterno como nunca falei
Caminharia com ela
pelas estradas da fazenda
Chutando pedrinha e gravetos
Simulando pega-pega
Cantando “ eu nunca amei ninguém como eu te amei”
Perguntaria para ela
Como é a outra vida!
E para despedir-se
Convidaria-a para um abraço de almas
Que demoraria o tempo de ela
Como um suave perfume
Evaporar-se no tempo que nos separam.
E se eu pudesse voltar o tempo
Voltaria à infância
Na casa de pau-a-pique
De sala sem móveis
De quarto sem camas
De cozinha com fogão a lenha
De terreiro amplo às brincadeira infantis
Voltaria!
Às noites de maio
Só para vê-la cantando a ave-maria
Só para vê-la debulhar o rosário clamando dias melhores.
Voltaria!
Às manhãs cotidianas para sentir o cheiro do café sertanejo que ela fazia
Ah!
E se eu pudesse!
Eternizar momentos!
Eternizaria os raros sorriso que brotavam de sua face
Porque eram tão belos quanto raros.
Ríamos da simplicidade de nossas vidas
Quando confabulávamos os cômicos momentos do dia.
Risadas gostosas livres da malícia dos adultos.
Reinava em nós uma infância
Tanto de escassez materiais
Quanto de momentos felizes
Tudo verdejava e secava
Como o clima nordestino
Que nos embalou a vida.
Ah!
E se eu pudesse mudar o destino!
Mudaria a consciência política de nossa época
Porque faltou a água que sacia a sede do saber!
A lua da educação passava sempre minguante pelo nosso sertão.
Não descobrimos o mundo!
Apenas o nosso minguado “mundo”!
Empoeirado no esquecimento
Castigado no tempo.
Esquecido, por isso configurava sofrimento.
Mudaria a rota de meus antepassados
Talvez o nome dela estivesse hoje
Na lista dos grandes nomes
Da literatura deste País
Que ainda hoje anda em caminhos tortos
Pagando caro pelos atalhos.
Ah!
E se eu pudesse mudar a História humana
Contaria a verdadeira História de Jesus
A verdadeira origem de Deus!
Se eu pudesse!!!
Agora faço o que posso
Guardá-la no aconchego de meu coração saudoso.
Esperar o tempo que nos aguarda
Caminhar nos caminhos de minha geração.

MATIAS de Araújo, Jurandir.

terça-feira, 23 de julho de 2013



SEXO VIDA E DEUS

Sarcástica esquisitona!
Diz-se crente, destarte casta, pudorosa.
O senhor salva dos olhares alheios.
Tudo em outrem soa pecado
Tudo em si já está perdoado.
Disse-lhe o pastor!
Desde que seja ovelha mansa
Cativa ao Livro.
Achei cômico o discurso dela
Ao vender produtos de sex-shopping
O “bruninho” era anormal
Quem aguentaria isso? Pensei!
A diversidade de gel causava curiosidade
Que exita
Que esquenta
Que adormece
Que dar sabor . . .
Órgãos de silicone
Órgãos avulsos
- Para que se estressar com homens brutos, ciumentos, agressivos
Tenho a solução, ela dizia!
Sarcástica esquisitona!
Nem corada ficava
Falava de sexo e de Deus
Como se um completasse o outro
Completa?
Era como matar e curar ao mesmo tempo
Se dar aos prazeres da carne
E pedir perdão a Deus!
Sarcástica esquisitona!
Deus está cheio de filhos vagabundos
Usando seu santo nome em vão
Na política
Na religião
Nos guetos
Nas famílias
Nas comunidades
Nas classes e em todas as vivências do homem!
Filhos oportunistas
Se valem do poder do Pai
E justificam suas atrocidades
Seres que entremeiam
O céu e o inferno
Em prol do benefício próprio!
Quando penso em filiação divina
percorro um mundo que ninguém imagina
Tanto bem e tanto mal
Tanto amor e tanto ódio
Tanta guerra e tanta paz
Tanta justiça e tanta injustiça . . .
Deus é todo amor
De onde vem tanto horror!
Será que somos filhos de um Deus do amor com uma Deusa do ódio?
E nessa guerra eterna de um contra o outro
Fomos subjugados à eles para fazermos nossas próprias escolhas?
Muitos optam pelo bem
Muitos optam pelo mal!
Seria esse nosso conflito com a vida carnal?
Nosso martírio espiritual?

MATIAS de Araújo, Jurandir.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

CONTEMPTORES.

As bocas e olhares delatam contemptores da vida.
E assim a vida se vai desprezada.
Os homens distribuem traços que os apontam como contemptores
da natureza e de suas próprias vidas
e mais ainda do meio em que vivem
Estão distribuídos em suas faces fugidias
em seus membros de pêndulos
em seus trejeitos corporais
... mas, são a boca e o olhar que os entregam
contemptores do mundo que os rodeiam!
Umas caídas
outros fixos
umas semprabertas
outros sempre buliçosos
umas serradas
outros oblíquos e tristes.
Sempre, sempre . . .
eles os delatam!
E por essa de desprezar
suportam a corda no pescoço
que estendida lá da galáxia
os encurralam e tiram-lhes
as vozes
a coragem
a força.
Os enforcam!
Quem os fizeram contemptores passivos?
A religião, a política, o trabalho?
E porque sou contemptor desses trejeitos humanos?
É uma vontade das Fúrias
de cirurgicar as caras e bocas contemptoras e
trazê-las à realidadehumana
que me faz um quase misantropo na era tecnológica.
A vida tecnologicada
nos torna passivos diante de nossos direitos.
Nos coloca um véu diante de nossa Divindade humana.
Nos faz homens deuses de energias roubadas.
Daqui a 50 anos
não seremos mais 100% humanos.
Um Q das máquinas estará nos soprando a vida
a qual se tornará teimosa em querer apossar-se do tempo dos Deuses.
Essa vida buliçosa
que de humana vive se alternando interna e externamente
de época em época
de geração em geração
de século em século
de vida à vida eternamente infinitadentro.

MATIAS de Araújo, Jurandir.
MORTE MAU DITA.

Teu nome jamais deveria ser morte
Deveria ser transmutação!
Veja, mau dita
O corpo que dizem morrer
E a ti selam a culpa
Não morre essencialmente!
Ele transpõe à verdadeira vida
Que não é matéria essência.
... Mesmo o corpo que falece aos olhos humanos
Não morre.
Indesejada!
Porque é ele todo vida.
E mesmo a ti subjugado
Prolifera em milhões de vidas em baixo dos sete palmos destinados.
Porque não cremar?
Porque tu te consumarias!?
Mesmos assim, religião do medo
Tu não tens sentido amplo.
Pois as cinzas do bocado humano
abundam vidas microscópicas
Que alimentaram outras vidas
E de vidas se faz redemoinho
O qual a te não pertence!
Tudo é vida porque tudo se transforma.
Porque morte?
Tu és um estado temporário
Que não passa dos limites da transformação!
Mas, porque assustas tanto nossa raça?
Sou obrigado a te isentar de culpa.
Porque fomos nós teus criadores
Presumo na mais tenra ignorância.
Tu és da leva dos medos
Que a maldita semeou nas mentes vinhas dos filhos da ganância.
Fostes e és bem aproveitada no submundo Terreno!
As lágrimas que a ti derramam
Não passam do medo que temos da solidão
a qual pertence a tua leva.
O que uma voz maldita produz, se não ecos malditos?
Ah! se as vozes do Mundo ecoassem cânticos de amor e de paz
A maldita não teria te semeado nas terras férteis da humanidade.
Choro porque meu tempo ainda a ti e a ela pertence.
Choro porque a maldita se transformou e ecoa nos quatro cantos do mundo!
A massa ignara se desmancha em lágrimas mau ditas
de solidão, carências e medos estapafúrdios
que a maldita semeia nas mentes aduncas das pobres almas
as quais são levadas nas enxurradas do desespero
e com ela levam toda sua dignidade de ser humano.
Ignaras almas que se deixam usar nos termos da passividade!
Tu jamais deverias te chamar de morte quando transmutas as almas
cansadas do peso da maldita, inconscientemente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.
VIDA VERDEJA A SAUDADE DESEJA.

Lá fora a vida verdeja e pula e grita
E nasce e cresce e morre
E mata e cura e tortura
E aquieta e adormece e agita.
Eu cá num quarto fechado
Sentado na cama
Balançando para lá e para cá
Lembrando o ritual de paz
De Manuel e Miúda!
É que quando crianças
Eles se sentavam numa pedra defronte do barreiro
Em cima das pernas
balançando para frente e para trás cantando:
Você perdeu um amor sem saber dar valor
Tu, tu, tu, tu ,tu . . .
Você perdeu um amor . . .
E repetiam inúmeras vezes este refrão
Que era um mantra!
Manuel não passou de criança.
Miúda cresceu uma altista incompreendida
E sofreu muito por causa disso!
Não conseguiram ensiná-la a ler, nem a escrever.
Bateram-na muito!
Chamaram-na de louca e meretriz
Porque aprendeu a oferecer o sexo aos “homens” e engravidou.
Teve o filho, mas o médico achou bom castrá-la.
Eu canto – você perdeu o amor sem saber dar valor . . .
Quando as amarguras da vida tentam roubar a minha paz de espírito.
Lembro de Manuel
Menino loiro com cachos de são joão menino e
Olhos grandes azuis
o quais uma febre incompreensível vestiu-se morte e os levou.
Lá fora a vida verdeja e pula e grita
Cá ela se acalenta nas lembranças
Banha em lágrimas minha alma amargurada e saudosa
De manuel e de Neta.
E lamentosa de Miúda
Que vive a amargurar a vida em meio aos leões de sua cor.
Lembro de Neta, menina recatada e tímida
Que obrigou-se ao celibato das freiras
Entregou-se aos afazeres da casa paterna
E não passou dos 41.
Uma taquicardia malvada e repentina se fez de morte e a levou.
Imaginem dois corpos idênticos
Um feminino e outro masculino
Assim éramos Neta e Eu.
Eu canto – você perdeu um amor sem saber dar valor . . .
porque peço paz aos/ e para meus amores que se foram.
Quando nos deparamos com as coisas incompreendidas da vida
Ou nos revoltamos contra elas
Ou cantamos feito Manuel e Miúda
A música do desvalor que damos à vida e aos amores
Que ela nos oferece.

MATIAS de Araújo, Jurandir – 2013.
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BITEMPO.

E o tempo do homem passa depressa
Limitado como a roseira em flor
Lindos botões que afloram
Lindas rosas que desabrocham
Lindos buquês de amor!

Depois murcham e caem sobre a mãe que as gerou
Terra!

Lindo amor que gera
Lindo bebe que nasce
Linda criança que cresce
Lindo jovem que luta
Lindo adulto que pensa
Lindo ancião que descansa
linda história de amor.


depois perde as forças e cai sobre a mãe que os gerou
Terra!

Um circulo de ciclo implacável
Que se aninha no tempo de seu Criador
Terra!


Dito infinito, eterno, de pleno amor
Que gerou o Universo
E os confins do infinito
no b-aba do inaudito
Ao homem se declarou
Deus!

Tempo!
Já o disseram tambor de todos os ritmos!
Deus ou o tempo?

Com o universo vazando aos olhos humanos
Tudo se encolhe e se expande no
tempo , no espaço
no passado no presente, no futuro
Tudo passa de pressa
Tudo demora!
E o limite é a instabilidade do tempo
que escorre nas fibras semióticas da virtualidade.
Bitempo!


E hoje vivemos em dois tempos
O tempo do homem
E o tempo do tempo
Ambos se olham tergiversando
Rumo ao futuro do tempo!
Deus!

MATIAS de Araújo, Jurandir.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

MEUS  POEMAS.


O que é ser estapafômbio?

Não sei porque me apaixono
por essas coisas estapafômbias
de amor controvertido
de amar homossentido.
Não sei porque gosto tanto
dessas coisas estapafômbias
de querer me exilar-se
neste mondo dos sentidos.
Lá fora o mundo grita estapafômbios
e eu aqui estou estapafômbio
consumindo virtualidades impostas
ideologias baratas
o glamour das marcas
a soberba do status
o brilho de um sapato
a embriaguez do álcool
e até o veneno das baratas.
Consumo o que não me acrescenta
esqueço o que me representa.
Estou mesmo estapafômbio.
O Mundo
meu País
meu Estado
minha Cidade e seus representantes.
Estão todos estapafômbios!
Tudo está.!
Hoje acordou o gigante estapafômbio que dormia
no regaço das falsas promessas.
Percebeu-se estapafômbio
e gritou nas praças, avenidas, ruelas e periferias.
Está gritando e as vezes se descontrola indignado.
Grita, chora, quer mudanças!
Quer comer,
trabalhar, se medicar, ler.
Quer saneamento,
livrar-se do sofrimento.
Quer honestidade
nos passos das cidades.
Cansou-se da contra-mão
quer dá basta na corrupção.
Não sei porque eu me apaixonava
por essas coisas estapafômbias
de amor controvertido
de amar homossentido
eu quero me libertar dos politiqueiros.
E para aquele que quer “cura”
cura para seu preconceito ordinário.
Fora Felicianos o povo quer viver sem suas amarras estapafômbias.
Não é por 0,20 é por muito mais!!!
É por amor e paz e dignidade.
É pelo humano da humanidade, o que mais?

MATIAS de Araújo, Jurandir.


DEJUNINAELA REGOZIJAVA-SE.

Min'alma de criança regozijava nas festas juninas
da fazenda
do sítio
da capela.
Defronte da fogueira a fumegar.
da casa familiar.
A alegria vinha do Grande
e depositava-se dentro de meu coração
como uma semente a germinar no campo.
Ela crescia durante uma semana
para florescer no dia de São João
e com os fogos
e a cada “explosão”
ela desabrochava feito as boninas do terreiro de madrinha Olívia.
Moça de cem anos
ela nunca se casara!
Era a noiva de são João
o sortudo santo dono das donzelas campesinas.
De outrora!
Mamãe comprava chita para customizar velhas calças jeans;
pintava com carvão um bigode;
colocava um chapéu de palha;
não tinha botas de couro, e ela comprava alpercatas de couro cru.
Que charme nordestino!
Era uma alegria tão Grande
que nunca mais a encontrei em minha estranha adultice megalopeana!
Os sonhos infantis ainda estão lá na casa de pau-a-pique
nas estradas de barro
nos casarões antigos
nas árvores frutíferas
nos lajedos
nas capelas solitárias dos sítios
em Serra de Dona Inês!
É lá que a encontro anualmente.
Tudo em pensamentos se aflora numa infância
com cheiros, cores, paisagens
vivências e lembranças adocicadas.
Nas crianças altaneiras
vejo as crianças que fomos
meus epocanos e eu.
E essa lembrança ver Neta
tímida e cantadeira de hinos.
Quando volto à realidade ela não está!
Foi-se o sentido da festa
mas, o vigor infantil a explodir no terreiro
o recupera e Neta adormece docilmente em meu coração recordeiro.
Regozijava-se e se alegra
não mais de “junina” porque isso é de criança unicamente.

MATIAS de Araújo, Jurandir.